Estudos reforçam relação entre alimentos ultraprocessados e câncer

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Uma investigação recente, parte do Projeto Europeu de Investigação sobre Câncer (EPIC), apresenta descobertas significativas sobre a conexão entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o aumento do risco de câncer do trato digestivo superior. Este estudo, realizado em 10 países europeus e no Reino Unido, revela implicações sérias para a saúde pública, somando-se a uma crescente quantidade de evidências que destacam os perigos associados a esses produtos alimentares.

O consumo de alimentos ultraprocessados, que incluem itens como refrigerantes, salgadinhos, nuggets, sopas embaladas e sorvetes, foi vinculado a um risco significativamente maior de câncer de cabeça, pescoço e adenocarcinoma de esôfago. Os resultados mostraram que aqueles que consumiram 10% a mais desses alimentos apresentaram um risco 23% maior de câncer de cabeça e pescoço, além de um risco 24% maior de adenocarcinoma de esôfago.

A diretora assistente de pesquisa e política do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer Internacional, que financiou o estudo, destaca a importância dessas descobertas, enfatizando que elas se alinham a um conjunto crescente de evidências que associam alimentos ultraprocessados ao risco de câncer.

No entanto, é crucial notar que, apesar dos avanços significativos desses estudos, ainda é necessário realizar mais pesquisas e coletar dados adicionais para uma compreensão completa dessa relação complexa.

 

O que são alimentos ultraprocessados e por que são problemáticos?

Os alimentos ultraprocessados são definidos como produtos que contêm ingredientes raramente utilizados em cozinhas convencionais, muitas vezes acompanhados por aditivos destinados a tornar o produto mais palatável. Entre esses aditivos estão conservantes, emulsificantes, corantes artificiais, agentes antiespumantes e modificadores de sabor. Essa categoria inclui uma variedade de itens, desde bebidas açucaradas até produtos industrializados, como salgadinhos e nuggets.

Uma pesquisa nos Estados Unidos revelou que aproximadamente 71% do fornecimento de alimentos no país é composto por produtos ultraprocessados, destacando a extensão desse problema.

 

Relação incomum: alimentos ultraprocessados e mortes acidentais

Além da associação com o câncer, o estudo surpreendentemente encontrou uma ligação entre alimentos ultraprocessados e mortes acidentais. Esta descoberta intrigante foi usada como um “controle negativo” durante a pesquisa, indicando que os alimentos ultraprocessados podem estar associados a circunstâncias adversas em geral.

Os pesquisadores, ao usar a morte acidental como um parâmetro de controle, esperavam isolar os impactos diretos dos alimentos ultraprocessados. No entanto, os resultados indicaram uma taxa mais elevada de mortes acidentais associadas a esses alimentos, levantando questões sobre a possível conexão entre o consumo desses produtos e fatores mais amplos, como pobreza, discriminação e degradação ambiental.

Embora as descobertas sejam alarmantes, os pesquisadores enfatizam que ainda não está claro se os alimentos ultraprocessados são a causa direta desses impactos negativos ou se fatores subjacentes, como comportamentos relacionados à saúde e posição socioeconômica, desempenham um papel crucial.

 

Crescente evidência e alertas anteriores

Este estudo é apenas o mais recente em uma série de pesquisas que destacam os perigos associados ao consumo de alimentos ultraprocessados. Estudos anteriores já vincularam esses produtos ao aumento do risco de câncer colorretal, doenças cardíacas, morte precoce, desenvolvimento de câncer de ovário e, mais recentemente, ao aumento do risco de depressão e demência em mulheres.

Essas descobertas reforçam a necessidade de políticas públicas e mudanças de comportamento em relação ao consumo de alimentos ultraprocessados. A conscientização sobre os riscos associados a esses produtos e a promoção de escolhas alimentares mais saudáveis são cruciais para combater os impactos adversos à saúde associados a essa categoria de alimentos.

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